Bahia, Brasil - 20 de setembro de 2026

12:06

Trombose: entenda em quais situações a falta de movimento pode favorecer a formação de coágulos

Trombose: entenda em quais situações a falta de movimento pode favorecer a formação de coágulos

Do sofá ao avião, situações comuns de imobilidade podem favorecer a formação de coágulos. Especialistas explicam como reconhecer sinais e reduzir riscos

Um dos fatores que podem favorecer a formação de coágulos está presente em situações comuns do dia a dia: permanecer longos períodos sem se movimentar, seja trabalhando sentado, durante viagens prolongadas, após uma fratura ou no período de recuperação de uma cirurgia. Foi o que aconteceu com a publicitária Tâmara Gondim, diagnosticada com trombose duas semanas após uma cirurgia bariátrica, em 2006.

“Sentia uma forte dor na perna e não conseguia pisar no chão. Procurei um angiologista, que fez um doppler venoso e diagnosticou a trombose. Fui imediatamente encaminhada ao hospital, onde fiquei seis dias internada e usei anticoagulante por meses”, relata.

Segundo o cardiologista e professor da Afya Salvador Marçal de Oliveira Huoya, o problema não está simplesmente em ficar sentado, mas na imobilidade prolongada associada a outros fatores de risco, que pode deixar o sangue circulando mais lentamente e favorecer a formação de coágulos. O trombo pode ainda se deslocar até os pulmões e provocar uma embolia pulmonar, complicação grave.

A forma mais conhecida é a trombose venosa profunda (TVP), que geralmente acomete os membros inferiores. Dor, inchaço, vermelhidão, aumento da temperatura, alteração da coloração da pele e endurecimento da região estão entre os sinais de alerta. No entanto, a trombose também pode ser assintomática.

Entre os principais fatores de risco estão cirurgias e internações prolongadas, imobilidade, viagens longas, obesidade, idade avançada, tabagismo, varizes, uso de anticoncepcionais e terapia hormonal, predisposição genética e algumas condições clínicas.

Em viagens prolongadas de avião ou ônibus, o especialista recomenda movimentar as pernas e evitar permanecer imóvel por muitas horas. Caso sintomas como dor, vermelhidão ou inchaço surjam após uma viagem longa ou no pós-operatório, a orientação é procurar rapidamente um serviço de urgência.

Dados do Ministério da Saúde apontam mais de 36 mil novos diagnósticos de trombose no primeiro semestre de 2025, com média de 200 internações por dia no país. Na Bahia, a Sesab estima cerca de mil internações anuais por trombose nos hospitais da rede estadual.

A doença pode atingir pessoas de diferentes idades. Segundo o Ministério da Saúde, mulheres entre 20 e 40 anos podem apresentar maior incidência devido à exposição a fatores como uso de anticoncepcionais e gestação.

Na Bahia, a assistência pelo SUS também avançou. Em 2025, a Secretaria da Saúde do Estado ampliou o acesso à enoxaparina para gestantes e puérperas com risco de tromboembolismo venoso, incluindo no protocolo estadual situações como trombofilia e outras condições associadas ao risco de eventos tromboembólicos.

Hormônios e risco de trombose: a escolha do tratamento importa

De acordo com a endocrinologista Renata Bussuan, coordenadora nacional da pós-graduação em Endocrinologia da Afya Educação Médica, que na Bahia oferece a formação em Vitória da Conquista e Salvador, o risco pelo uso de hormônios não é igual para todos os tratamentos e depende de diferentes características: “O risco depende do hormônio, da dose, da via de administração e das características do paciente, por exemplo”, explica.

A maior preocupação está relacionada ao estrogênio administrado por via oral, presente em alguns anticoncepcionais combinados e utilizado em determinados tratamentos hormonais da menopausa. Isso, no entanto, não significa que o uso de hormônios seja contraindicado de forma geral. A decisão deve levar em conta o histórico e as condições de saúde de cada pessoa.

Segundo a médica Renata Bussuan, a forma como o hormônio é administrado também pode fazer diferença. Na terapia hormonal da menopausa, por exemplo, o estrogênio transdérmico, administrado por meio de gel ou adesivo, pode ser uma alternativa com menor risco tromboembólico para algumas mulheres, especialmente quando existem determinados fatores de risco. A escolha, porém, deve ser feita individualmente pelo médico. A especialista ainda dá outro exemplo da importância de individualizar o tratamento: “Já na reposição de testosterona, a preocupação é diferente. O tratamento pode aumentar o hematócrito, que corresponde à proporção de células vermelhas no sangue. Por isso, um paciente em tratamento precisa realizar acompanhamento médico e exames periódicos para avaliar possíveis alterações”, explica.