Bahia, Brasil - 6 de agosto de 2026

16:33

Julho das Pretas fortalece articulação de mulheres negras na diáspora e luta por direitos

Julho das Pretas fortalece articulação de mulheres negras na diáspora e luta por direitos

Consultora relembra participação em manifestações em Portugal e defende o fortalecimento de redes internacionais e o direito ao Bem Viver

O Julho das Pretas, campanha que mobiliza organizações e movimentos sociais em todo o Brasil, reforça neste ano a importância de ampliar o debate sobre os direitos das mulheres negras, os desafios da diáspora e a promoção da saúde e da qualidade de vida dessa população.

A mobilização culmina no Dia Internacional da Mulher Negra Afro-Latino-Americana, Caribenha e da Diáspora, celebrado neste sábado (25), data criada em 1992 durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, em Santo Domingo, na República Dominicana.

Para a consultora em relações étnico-raciais e de gênero Tainara Ferreira, o período vai além da celebração da identidade negra feminina. “O Julho das Pretas nos convida a reconhecer as mulheres negras como protagonistas da transformação social, mas também a reivindicar o direito ao Bem Viver, enfrentando o racismo, o sexismo e outras desigualdades estruturais”, afirma.

Segundo ela, a diáspora deve ser compreendida para além do deslocamento geográfico, reunindo experiências comuns de enfrentamento ao racismo, à xenofobia e às desigualdades. “Fortalecer redes de solidariedade entre mulheres negras é uma estratégia fundamental para garantir direitos, resistência e qualidade de vida”, conclui.

Manifestação em Portugal reforçou debate

Como parte dessa articulação internacional, Tainara participou, no mês passado, de manifestações em Lisboa durante o Dia de Portugal, também reconhecido por movimentos sociais como Dia da Luta Antirracista, em memória de Alcindo Monteiro, cabo-verdiano assassinado por um grupo neonazista em 1995.

Na ocasião, também mediou a roda de conversa “Sentindo na Pele – Vivências Migratórias e Letramento Decolonial”, na Casa do Brasil de Lisboa, debatendo os desafios enfrentados pela população migrante diante do avanço da xenofobia.

“Estar em Portugal reforçou que as lutas das populações negras e migrantes estão conectadas. O Julho das Pretas também é sobre fortalecer essas redes de solidariedade e compreender que o enfrentamento ao racismo exige articulação coletiva, onde quer que estejamos”, afirma.

O direito ao Bem Viver e ao descanso

Ao longo de julho, organizações negras promovem debates, atividades culturais e ações de incidência política voltadas a temas como equidade racial, violência de gênero, saúde, educação e justiça social.

Para Tainara Ferreira, o Julho das Pretas reforça a necessidade de políticas públicas que garantam dignidade e qualidade de vida às mulheres negras.

“Não queremos ser reconhecidas apenas pela nossa capacidade de resistir às violências. Reivindicamos o direito ao Bem Viver, com acesso à saúde, ao descanso, à qualidade de vida e a políticas públicas que enfrentem as desigualdades raciais e de gênero”, afirma.