Bahia, Brasil - 22 de maio de 2026

19:09

Glaucoma pode afetar mais de dois milhões de brasileiros e reforça alerta

Glaucoma pode afetar mais de dois milhões de brasileiros e reforça alerta

“O glaucoma é uma doença degenerativa, geralmente associada ao aumento da pressão intraocular, que leva à atrofia progressiva do nervo óptico”

O glaucoma, principal causa de cegueira irreversível, afeta atualmente cerca de 78 milhões de pessoas no mundo, com projeção de alcançar 111,8 milhões até 2040, segundo estimativas amplamente referenciadas na literatura científica internacional. No Brasil, o cenário também preocupa: de acordo com a Sociedade Brasileira de Glaucoma, a doença pode atingir até 2,5 milhões de pessoas com mais de 40 anos, sendo que aproximadamente 70% desconhecem o diagnóstico.

Diante desse quadro, oftalmologistas, reforçam a importância do Maio Verde, campanha dedicada à conscientização sobre a doença e necessidade de prevenção e diagnóstico precoce. Especialista na área, o médico Elson Velanes, destaca que a falta de sintomas iniciais é um dos principais desafios no combate à enfermidade.

“O glaucoma é uma doença degenerativa, geralmente associada ao aumento da pressão intraocular, que leva à atrofia progressiva do nervo óptico. Sem controle, pode comprometer o campo de visão de forma irreversível”, explica o especialista. Ele lembra que o dia 26 de maio marca o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma. “Os grupos de risco incluem pessoas acima dos 40 anos, indivíduos com histórico familiar da doença, populações de etnia africana ou asiática e pacientes que fazem uso prolongado de medicamentos à base de corticoides”, afirma Elson Velanes.

Também especialista na área, o oftalmologista Sandro Gramacho, ressalta que existem diferentes tipos de glaucoma. “O mais comum é o glaucoma primário de ângulo aberto, que evolui de forma silenciosa. Já o glaucoma de ângulo fechado pode provocar sintomas súbitos, como dor ocular intensa e dor de cabeça”, informa. O médico ainda informa que há formas congênitas, presentes desde o nascimento, e secundárias, associadas a traumas ou outras condições oculares. Em todos os casos, a ausência de tratamento adequado pode levar à perda total da visão.

Tratamento e prevenção

Apesar de não ter cura, o glaucoma pode ser controlado na maioria dos casos, especialmente quando diagnosticado precocemente. A oftalmologista Mariana Xavier, da Oftalmoclin, diz que o tratamento costuma envolver o uso contínuo de colírios e, em situações específicas, procedimentos a laser ou cirurgias.

“Com o avanço tecnológico, surgiram alternativas mais modernas e menos invasivas, como implantes trabeculares, a exemplo do iStent, que proporcionam recuperação mais rápida e menor risco de complicações”, destaca. A médica conta que a prevenção, no entanto, é o caminho mais eficaz. Consultas oftalmológicas regulares são fundamentais para detectar a doença em estágios iniciais. Exames como aferição da pressão ocular, avaliação do fundo de olho, testes de campo visual e exames de imagem ajudam a identificar alterações precoces.