A Associação Baiana de Pessoas com Epilepsia, Familiares e Amigos – ABPEFA – vem a público manifestar extrema preocupação com a persistência no desabastecimento de medicamentos anticrise para pessoas com epilepsia no SUS de Salvador. Os medicamentos como ácido valproico e carbamazepina seguem em falta, inclusive na formulação em xarope, prescrita para o tratamento infantil.
A situação se agravou nos últimos tempos com o recebimento de novos relatos de pais sobre a ausência dos medicamentos em postos de saúde com o temor de uma possível descontinuidade do tratamento médico e os impactos no quadro clínico das crianças e adolescentes, aumentando internações e trazendo prejuízos ao desenvolvimento neuropsicomotor.
A ABPEFA também recebeu denúncias de pais e responsáveis sobre o despreparo das escolas para acolher estudantes com epilepsia, sobretudo as dificuldades para identificar diferentes tipos de crises epilépticas, principalmente as de ausência, frequentemente confundidas com desatenção ou desinteresse do aluno. “Como consequência, os estudantes com epilepsia não recebem o suporte adequado e perdem importantes oportunidades de aprendizagem”, alerta a presidente da ABPEFA, Alessandra Nascimento. A falta de protocolos e presença de profissionais capacitados nas escolas gera insegurança nas famílias e nas próprias crianças. A ABPEFA recebeu informações de familiares sobre o despreparo das escolas que não sabem como agir durante uma crise epiléptica, expondo estudantes a situações de risco.
No ensino privado, os responsáveis se queixam da ausência de planos de acolhimento e, por vezes, a recusa de matrícula de estudantes com epilepsia o que viola o direito à educação inclusiva. “Recebemos pais que nos informaram que após a matrícula, foram exigidas cobranças adicionais por parte de algumas escolas privadas, repassando o custo de um ADI ou profissional de apoio. Esse custo trouxe aumento significativo da mensalidade”, ressalta.
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