Dia Nacional do Diabetes chama atenção para a importância da investigação laboratorial no diagnóstico precoce da doença.
O diabetes está entre as doenças crônicas mais comuns no Brasil, com cerca de 16,6 milhões de adultos diagnosticados, o que coloca o país na sexta posição no ranking mundial. Apesar disso, muitos casos ainda são identificados em estágios avançados, já que a doença costuma evoluir de forma silenciosa, sem sinais clínicos evidentes no início. No Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho, o tema ganha evidência, abrindo espaço para discutir a importância do diagnóstico precoce, com destaque para o papel dos exames laboratoriais na identificação de alterações metabólicas antes do surgimento de complicações mais graves.
Dados recentes ajudam a dimensionar esse cenário. Segundo o Vigitel, pesquisa anual do Ministério da Saúde que acompanha fatores de risco e doenças crônicas no país, a prevalência de diabetes entre adultos cresceu 135% entre 2006 e 2024, passando de 5,5% para 12,9% da população. O avanço reforça a necessidade de ampliar o acesso a exames de rotina e consolidar o rastreamento laboratorial como prática mais frequente na atenção à saúde.
De acordo com o farmacêutico bioquímico e responsável técnico do IHEF Laboratório, Marcus Machado (CRF-BA 2464), o diagnóstico do diabetes depende diretamente da avaliação laboratorial, especialmente porque a doença pode permanecer assintomática por longos períodos.
“Os exames fundamentais para diagnosticar o diabetes são a glicemia em jejum, a hemoglobina glicada (HbA1c) e o teste de tolerância oral à glicose (TOTG). Eles permitem identificar desde alterações pontuais até o comportamento da glicose ao longo do tempo”, explica.
Segundo o especialista, o rastreamento é indicado mesmo em pacientes sem sintomas aparentes, justamente pelo caráter silencioso da doença. “Em muitos casos, o diabetes não apresenta sinais no início. Por isso, o rastreamento laboratorial é essencial para identificar alterações antes que haja danos clínicos mais significativos”, afirma.
O diagnóstico precoce, obtido por meio de exames laboratoriais, é determinante para reduzir complicações associadas à doença, como problemas renais, cardiovasculares, neurológicos e oftalmológicos. Além disso, permite maior eficácia no controle glicêmico e melhora da qualidade de vida do paciente.
Após o diagnóstico, o acompanhamento também depende de exames laboratoriais periódicos, como glicemia em jejum, hemoglobina glicada, glicemia pós-prandial, perfil lipídico e função renal, que auxiliam na avaliação da resposta ao tratamento e na prevenção de agravamentos.
O especialista reforça ainda que grupos como pessoas com histórico familiar, gestantes e indivíduos com fatores de risco devem manter atenção redobrada e realizar monitoramento frequente, mesmo sem sintomas como sede excessiva, cansaço ou infecções recorrentes.






