Estimativa de 6.540 novos casos de câncer de próstata na Bahia em 2026 chama atenção para o papel do teste na investigação e a importância do acompanhamento médico
Realizado por meio de coleta de sangue, o PSA ajuda a identificar alterações na próstata e a orientar a investigação médica. O resultado, porém, exige avaliação: valores elevados podem estar associados a condições benignas, enquanto aqueles dentro da referência não excluem completamente o câncer. Durante o Novembro Azul, esclarecer essas diferenças ganha relevância. Na Bahia, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 6.540 novos casos de câncer de próstata em 2026, sendo 1.070 apenas em Salvador. No Brasil, a doença é o segundo tipo de câncer mais frequente entre os homens, ficando atrás somente dos tumores de pele não melanoma.
O exame mede a concentração do antígeno prostático específico, uma proteína produzida pela próstata. Segundo a biomédica e coordenadora técnica do Sabin Diagnóstico e Saúde, Patrícia Cavalcante, a qualidade de cada etapa da análise é importante para fornecer informações que auxiliem a avaliação médica. “Nosso trabalho envolve o cuidado com todas as etapas da análise, da orientação para a coleta à liberação do resultado. O PSA fornece uma informação importante para a investigação, que será interpretada pelo médico junto às condições de saúde do paciente”, explica.
A seguir, a profissional esclarece dúvidas frequentes sobre o exame.
PSA elevado sempre significa câncer. Mito.
O aumento da concentração da proteína no sangue pode ocorrer em condições benignas, como crescimento da próstata e inflamações. A confirmação do câncer depende de biópsia, quando indicada após a investigação médica. “Os valores de referência ajudam na leitura do laudo, mas não funcionam como uma divisão definitiva entre ter ou não câncer. Por isso, o paciente não deve interpretar o resultado por conta própria”, afirma Patrícia.
PSA dentro da referência exclui completamente a doença. Mito.
Nem todo câncer de próstata provoca elevação do PSA a ponto de ultrapassar o valor de referência do laboratório. Por isso, a doença pode estar presente mesmo quando o resultado está dentro dessa faixa. O médico considera também o histórico do paciente, os sintomas e os achados da avaliação clínica para decidir se é necessário aprofundar a investigação.
O exame de sangue substitui o toque retal. Mito.
Os procedimentos fornecem informações diferentes: o PSA mede a concentração da proteína no sangue, enquanto o toque retal permite avaliar características como tamanho, forma e textura da próstata. A indicação de cada um depende da avaliação médica.
A idade é o único fator que orienta a investigação. Mito.
Segundo o Ministério da Saúde, nove em cada dez homens diagnosticados com câncer de próstata no Brasil têm mais de 55 anos. O histórico familiar também merece atenção: ter pai, avô ou irmão que apresentou a doença antes dos 60 anos aumenta o risco. A necessidade de PSA e toque retal deve ser discutida com o médico, considerando o histórico de saúde, a presença de sintomas e os possíveis benefícios e riscos dos exames.
É preciso conferir o preparo antes da coleta. Verdade.
O paciente deve consultar as orientações do laboratório e comunicar procedimentos recentes e condições de saúde que possam interferir na análise ou na interpretação do resultado. “Conferir as orientações antes da coleta ajuda a reduzir interferências no resultado. O paciente também deve informar os medicamentos que utiliza, sem interrompê-los por conta própria”, orienta a biomédica.
Só homens mais velhos precisam investigar sintomas. Mito.
Dificuldade para urinar, diminuição do jato urinário, necessidade de urinar mais vezes e sangue na urina precisam ser investigados, independentemente da idade. Esses sinais também podem estar associados a condições benignas e não confirmam câncer. “O principal é não adiar a busca por atendimento. Quando há indicação de realizar o PSA, fazer o exame e retornar ao médico com o resultado são etapas do mesmo cuidado”, conclui Patrícia.






