A biomédica esteta Jéssica Magalhães explica como a tendência Quiet Beauty influencia os procedimentos faciais, a valorização dos traços individuais e a busca por resultados equilibrados e naturais
A busca por resultados naturais tem transformado o universo dos procedimentos estéticos. Conhecida como Quiet Beauty, a tendência prioriza a harmonia facial e a valorização dos traços individuais. O tema ganhou repercussão após a aparição da modelo Adriana Lima na ‘Mercedes-Benz Fashion Week Madrid’, que provocou comentários sobre sua transformação visual.
A discussão envolve ainda personalidades como Sandra Bullock, Grazi Massafera e Anne Hathaway, citadas em debates sobre aparência e envelhecimento. Além de especular sobre possíveis intervenções, o movimento evidencia uma mudança nas expectativas do público: em vez de alterações marcantes, a preferência agora é por resultados que mantenham a coerência entre estruturas faciais e as características de cada pessoa.
Do ponto de vista técnico, a busca pela naturalidade exige planejamento baseado na anatomia e nas proporções do rosto. Segundo a biomédica esteta Jéssica Magalhães, a avaliação deve considerar a relação entre os diferentes terços faciais, a sustentação dos tecidos, a qualidade da pele e as necessidades apresentadas pelo paciente.
“O planejamento estético não deve se limitar à correção isolada de uma região. O rosto funciona como uma unidade anatômica, onde volume, contorno e proporções estão relacionados. Se a intervenção não considerar essas relações, existe o risco de produzir desproporções e resultados artificiais. Por isso, a indicação precisa partir de uma avaliação individualizada, com definição criteriosa da técnica, da quantidade de produto e dos limites que devem ser respeitados”, explica.
Essa abordagem também traz atenção ao uso de preenchedores e à realização de procedimentos sucessivos. A aplicação repetida de produtos, sem reavaliação da necessidade clínica, pode resultar em acúmulo de volume e alterações nos contornos faciais. Nesse sentido, a biomédica explica que o acompanhamento deve considerar procedimentos anteriores, a resposta dos tecidos e a real necessidade de novas intervenções, em vez de seguir uma rotina de aplicações predefinidas.
O interesse por resultados mais discretos, segundo Jéssica, também se relaciona à procura pela reversão de procedimentos anteriores. A profissional explica que a possibilidade de correção depende da substância utilizada, da região tratada e das alterações identificadas durante a avaliação. No caso de preenchimentos com ácido hialurônico, por exemplo, pode haver indicação de hialuronidase, enzima capaz de degradar esse material. A estratégia, contudo, não se aplica indistintamente a todos os produtos ou técnicas, e a decisão exige conhecimento do histórico clínico e avaliação dos riscos envolvidos.
“É fundamental diferenciar a reversão de um produto da correção de uma alteração estética. No preenchimento com ácido hialurônico, a hialuronidase pode ser utilizada em situações específicas, mas sua indicação depende da avaliação clínica e não garante, em todos os casos, a recuperação exata da aparência anterior. Outros materiais apresentam características distintas e não respondem da mesma forma”, destaca.
Ainda segundo a profissional, o fenômeno do Quiet Beauty reforça a importância de associar o planejamento técnico às características individuais de cada paciente. “A naturalidade não corresponde à ausência de procedimentos, mas à adequação da intervenção à anatomia e às necessidades reais de quem procura o tratamento. Isso envolve avaliar indicações, respeitar os limites dos tecidos e considerar possíveis efeitos cumulativos de aplicações anteriores. Também é essencial explicar o que pode ser alcançado e quais são as limitações de cada técnica. O resultado precisa ser planejado com responsabilidade, sem transformar referências externas em protocolos universais”, conclui.




