Psicólogo destaca os impactos emocionais do julgamento social e a importância do acolhimento durante o 14º Encontro Brasileiro de Pessoas que Gaguejam, em Salvador
A gagueira vai além das dificuldades relacionadas à fluência da fala e pode afetar diretamente a autoestima, a autoconfiança e as relações sociais de quem convive com a condição. Em uma sociedade que frequentemente associa a comunicação fluida à inteligência e à segurança pessoal, pessoas que gaguejam ainda enfrentam preconceitos que podem limitar sua participação em diferentes espaços.
O tema será discutido durante o 14º Encontro Brasileiro de Pessoas que Gaguejam, que acontece no dia 17 de outubro de 2026, das 8h às 18h, na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Segundo o psicólogo Jilvan Carmo, o medo do julgamento e a ansiedade podem levar pessoas que gaguejam a evitar situações de exposição, como apresentações, reuniões e conversas com desconhecidos. Esse comportamento também pode se manifestar na troca de palavras para esconder a gagueira, na redução daquilo que gostariam de dizer ou até na escolha pelo silêncio. No ambiente profissional, essas barreiras podem fazer com que pessoas deixem de buscar oportunidades compatíveis com suas capacidades.
“O medo do julgamento pode levar a pessoa a esconder a gagueira, deixar de expressar o que pensa ou evitar oportunidades profissionais e sociais. Com isso, ela passa a limitar sua participação por receio da reação dos outros”, explica Jilvan Carmo.
O especialista também chama atenção para os impactos nas relações pessoais, já que a gagueira ainda é equivocadamente interpretada como sinal de nervosismo, insegurança ou falta de conhecimento. A pressão para falar com fluência pode aumentar o desgaste emocional e dificultar a espontaneidade nas interações.
O acompanhamento psicológico contribui para lidar com o sofrimento associado ao estigma, fortalecer a autoaceitação, trabalhar a ansiedade social e desconstruir crenças limitantes. “A psicologia não busca curar a gagueira, mas ajudar a pessoa a lidar com o sofrimento emocional, fortalecer a autoconfiança e se expressar sem o peso constante do medo de ser julgada”, destaca o psicólogo.
Jilvan também ressalta que familiares e amigos têm papel importante nesse processo. Ouvir com paciência, manter o contato visual, não interromper nem completar frases e prestar atenção ao conteúdo da mensagem são atitudes que favorecem uma comunicação respeitosa. Orientações como “calma” e “respira”, embora muitas vezes bem-intencionadas, podem aumentar a pressão sobre quem gagueja.
“Respeitar o tempo de fala, não completar frases e evitar cobranças são atitudes fundamentais. O mais importante é ouvir o que a pessoa tem a dizer, sem transformar a fluência em condição para que ela seja respeitada”, orienta.
O encontro reunirá pessoas que gaguejam, familiares, profissionais e interessados no tema para ampliar o debate sobre inclusão, direitos, saúde e qualidade de vida. A iniciativa busca fortalecer a conscientização sobre a gagueira e combater o preconceito, promovendo o respeito à diversidade da fala e o direito de cada pessoa se expressar sem constrangimentos.
Serviço
14º Encontro Brasileiro de Pessoas que Gaguejam
Data: 17 de outubro de 2026
Horário: das 8h às 18h
Local: Auditório da Faculdade de Direito da UFBA – Espaço Cultural Raul Chaves
Endereço: Rua da Paz, s/n, Graça, Salvador/BA
Realização: Associação Brasileira de Gagueira (ABRA Gagueira)
Inscrições: https://www.sympla.com.br/evento/14-encontro-brasileiro-de-pessoas-que-gaguejam-7-encontro-baiano-de-pessoas-que-gaguesalvador-ba/3470132
Foto Divulgação




