Bahia, Brasil - 16 de setembro de 2026

07:59

Anvisa alerta para riscos de preenchedores fora das indicações; médico explica quando procedimento estético deve ser evitado

Anvisa alerta para riscos de preenchedores fora das indicações; médico explica quando procedimento estético deve ser evitado

Referência em medicina estética no Brasil, Dr. Octávio Guarçoni destaca que a indicação deve considerar condições de saúde, anatomia, intervenções anteriores e os limites de cada técnica

A busca por procedimentos estéticos cresceu nos últimos anos, mas o interesse do paciente não significa que determinada intervenção seja indicada. Em 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou o Informe de Segurança GGMON nº 01/2026, alertando para os riscos do uso de preenchedores dérmicos fora das indicações previstas nas Instruções de Uso.

Segundo a agência, produtos como ácido hialurônico, hidroxiapatita de cálcio, ácido poli-L-láctico e PMMA possuem indicações específicas. Aplicações em regiões ou volumes diferentes dos autorizados podem aumentar o risco de complicações, como oclusão vascular, alterações visuais e embolia pulmonar. A Anvisa orienta que o profissional avalie as condições clínicas do paciente, siga as indicações aprovadas e informe sobre riscos e possíveis complicações.

Para o Dr. Octávio Guarçoni, referência em medicina estética no Brasil e à frente da Guarçoni Health Center, o mesmo princípio vale para os procedimentos estéticos de maneira geral. A decisão deve considerar anatomia, qualidade dos tecidos, histórico clínico, medicamentos em uso e intervenções anteriores.

“Duas pessoas podem chegar ao consultório querendo exatamente o mesmo procedimento e terem indicações completamente diferentes. A anatomia, a qualidade da pele, a quantidade de tecido, o histórico de intervenções e as condições clínicas fazem parte da decisão”, afirma.

O histórico de preenchimentos, cirurgias, cicatrizes, fibroses e outras aplicações merece atenção, pois pode modificar a anatomia e interferir na segurança de uma nova intervenção. Quando o paciente não sabe qual produto foi utilizado ou passou por várias aplicações na mesma região, a avaliação exige ainda mais cautela.

As expectativas em relação ao resultado também devem ser consideradas. Uma técnica pode ser segura, mas não indicada quando o efeito esperado pelo paciente não corresponde ao que pode ser alcançado.

“Às vezes, ele chega buscando uma mudança que aquela técnica não consegue proporcionar. Se eu sei antes do procedimento que o resultado esperado não é alcançável, realizar a intervenção pode gerar uma frustração previsível e levar o paciente a buscar novos procedimentos”, explica.

Além disso, doenças preexistentes, uso de determinados medicamentos, infecções ou inflamações na região e alterações na pele podem exigir adiamento, mudança de técnica ou até a não realização do procedimento.

Nesse cenário, reconhecer que uma intervenção não é indicada também faz parte da responsabilidade médica.

“O ‘não’ também é uma conduta médica. Se eu identifico que o risco é maior do que o benefício, que a anatomia não favorece aquela técnica ou que a expectativa não pode ser alcançada de maneira segura, não realizar o procedimento é a decisão mais responsável”, conclui.