Frequentemente associada a procedimentos estéticos, a radiofrequência também ocupa espaço consolidado em diversas especialidades médicas, incluindo a coloproctologia. Utilizada em cirurgias anorretais, a tecnologia auxilia em etapas como corte, coagulação e dissecção de tecidos, contribuindo para maior precisão durante os procedimentos e melhor controle do sangramento.
Conforme explica a proctologista Glícia Abreu, a aplicação da radiofrequência na medicina é ampla e já faz parte da prática cirúrgica. “A radiofrequência tem aplicações médicas há décadas e não se limita à estética. Na coloproctologia, ela pode ser utilizada para realizar incisões, dissecar tecidos e promover coagulação dos vasos sanguíneos durante procedimentos como hemorroidectomias, tratamento de plicomas, fissuras e outras cirurgias anorretais. O objetivo é aumentar a precisão cirúrgica e reduzir o dano aos tecidos adjacentes”, explica.
A tecnologia permite corte e coagulação simultâneos, o que pode reduzir o sangramento intraoperatório e facilitar a visualização do campo cirúrgico. Dependendo da técnica empregada, também pode haver menor dispersão térmica para os tecidos vizinhos, favorecendo uma recuperação mais confortável.
Radiofrequência x Laser
Apesar do avanço tecnológico, a médica ressalta que a radiofrequência não deve ser vista como concorrente do laser. As duas ferramentas possuem funções distintas e podem até ser utilizadas de forma complementar em determinados tratamentos.
“O laser costuma ser muito útil em procedimentos minimamente invasivos, como a hemorroidoplastia a laser, tratamento de doença pilonidal e algumas fístulas anais. Já a radiofrequência é amplamente utilizada para corte, coagulação e excisão tecidual em diversas cirurgias anorretais. Em muitos casos, as duas tecnologias podem inclusive ser associadas no mesmo procedimento”, esclarece.
A especialista também chama atenção para um equívoco comum entre pacientes: associar inovação tecnológica a resultados superiores. Para ela, os principais critérios para definir a estratégia terapêutica são o diagnóstico correto e as características individuais do paciente.
“O tipo de doença, sua gravidade, os sintomas, as condições clínicas e os objetivos do tratamento devem orientar a escolha. A tecnologia é uma ferramenta importante, mas o fator decisivo continua sendo a indicação adequada. O melhor tratamento não é necessariamente o mais moderno, mas aquele que oferece maior benefício e segurança para aquele paciente específico”, destaca.




