Bahia, Brasil - 22 de junho de 2026

18:12

Teste FIT amplia rastreamento do câncer de intestino no SUS, mas não substitui colonoscopia

Teste FIT amplia rastreamento do câncer de intestino no SUS, mas não substitui colonoscopia

Um exame simples, não invasivo e capaz de identificar sinais precoces do câncer colorretal antes mesmo do aparecimento de sintomas passará a ser oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Trata-se do Teste Imunoquímico Fecal (FIT), que será utilizado como ferramenta de rastreamento populacional para ampliar o diagnóstico precoce da doença, considerada uma das mais frequentes no intestino.

O procedimento será oferecido para pessoas acima de 50 anos e deve ser repetido anualmente, caso ele seja negativo.
“O SUS deu um passo muito importante em relação ao rastreamento do câncer colorretal, câncer de intestino, ao oferecer o exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes pelo método FIT à população. Esse método diferencia da pesquisa de sangue oculto normal porque, por meio de anticorpos, vai detectar diretamente a hemoglobina humana. Então, esse teste não sofre muita influência da alimentação”, explica a coloproctologista Glícia Abreu.

O exame é realizado por meio da análise de uma pequena amostra de fezes e consegue detectar quantidades mínimas de sangue oculto utilizando anticorpos específicos para reconhecer a hemoglobina humana. Segundo a especialista, essa tecnologia torna o FIT mais preciso do que os métodos tradicionais.

“Ele deve ser oferecido para a população, especialmente para aquelas pessoas assintomáticas ou que não tenham história familiar de câncer de intestino. E nessas pessoas, caso esse exame seja positivo, elas deverão ser direcionadas para um exame mais específico, que é chamado de colonoscopia”, afirma.

FIT não substitui colonoscopia
Nesse contexto, a coloproctologista ainda ressalta que o FIT não substitui colonoscopia e ressalta que o procedimento é utilizado para fazer o rastreamento do câncer colorretal para a população de risco médio, isto é, pessoas acima de 45 anos que não tenham história familiar de câncer colorretal e sejam assintomáticas.

“Para esse grupo de pessoas, existe, além do FIT, outros exames que podem ser escolhidos, a depender da preferência do paciente e do médico, como, por exemplo, a colonoscopia e retossigmoidoscopia flexível. O que muda entre esses exames é o tempo que devem ser repetidos. Enquanto o FIT deve ser repetido anualmente e, até de 2 em 2 anos, a colonoscopia normal pode ser repetida após dez anos para esse grupo de pessoas”, explica Glícia Abreu.

Sobre a especialista
A Glicia Abreu é coloproctologista, doutora em Medicina e Saúde Pública e mestre em Cirurgia pela Universidade Federal da Bahia. Também atua como professora adjunta de Metodologia da Pesquisa da Escola Bahiana de Medicina. Membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia e integrante da Sociedade Brasileira de Motilidade Digestiva, atua desde 1992 no Serviço Estadual de Oncologia do SUS na Bahia. Atualmente, também integra a equipe da Rede D’Or, em Salvador.
Com experiência no tratamento de doenças do assoalho pélvico, como incontinência fecal e constipação, a especialista trabalha com exames de alta resolução, incluindo manometria anorretal, além de técnicas minimamente invasivas, como neuromodulação sacral e uso de laser em patologias proctológicas. Possui artigos científicos publicados e trabalhos premiados em congressos da área médica.
Currículo Lattes: CNPq Lattes – Dra. Glicia Abreu